Maioria dos pedidos de refúgio ao Brasil foi feita por cubanos em 2025, superando os venezuelanos. Foram quase 42 mil solicitações entre as 75 mil e seiscentas que o país recebeu no ano passado, segundo o relatório Refúgio em Números, da OBMigra, Observatório das Migrações Internacionais, divulgado nesta segunda-feira.
Já o número de pedidos de venezuelanos, que lideraram o ranking por vários anos, caiu cerca de 20%: foram 21.233. Na sequência, mas bem distantes, estão pessoas provenientes da Colômbia e Angola. A maioria dos pedidos são de homens em idade produtiva, de acordo com o relatório.
No entanto, Colômbia e Venezuela se diferenciam, segundo o diretor de pesquisa do IBGE e membro do comitê de especialistas em população e estatísticas sociais da ONU, Gustavo Junger.
"Quando você fala de solicitantes e pessoas solicitantes, refugiadas latino-americanas, Você tem uma presença, especialmente no caso das pessoas colombianas e venezuelanas, uma presença importante de crianças e adolescentes e um maior equilíbrio entre homens e mulheres solicitantes, ainda que os homens prevaleçam também para esse grupo."
No ano passado, nove mil pessoas foram oficialmente reconhecidas como refugiadas. Quase todas por grave e generalizada violação dos direitos humanos. A grande maioria era de venezuelanos.
Em termos globais, a Acnur, agência das Nações Unidas para refugiados, estima que atualmente existam cerca de 117,8 milhões pessoas fora de casa em todo o mundo.
O dado é o primeiro com redução em dez anos, mas uma olhada rápida pode enganar, segundo a oficial de proteção da Acnur no Brasil, Silvia Sander. Os refugiados têm retornado aos países de origem, não porque os problemas se resolveram, mas porque estão sendo forçados, como acontece com afegãos, sírios e sudaneses.
"Então significa que desse universo, se a gente olhar com menos atenção para essa estatística que poderia ser celebrada, a gente percebe que cerca de 4,4 milhões de pessoas refugiadas estão sendo pressionadas a voltar para esses contextos que seguem sendo inseguros. Portanto, a gente está falando de retornos prematuros."
De acordo com a ONU, as Américas são a principal região do mundo em deslocamento forçado. 22,8 milhões de pessoas estão fora de casa no continente.
Fonte: Radioagência Nacional